
Hernán Gil, o venezuelano resgatado com vida após uma semana preso nos escombros de um centro comercial na sequência dos dois fortes sismos que assolaram a Venezuela, na quarta-feira passada – e que se tornou num símbolo de esperança no meio da tragédia – relatou como foram os dias que passou soterrado.
Hernán, recorde-se, foi localizado por uma equipa portuguesa na segunda-feira, tendo sido resgatado com vida na quinta-feira, dia 2 de julho, após oito dias sob os escombros.
“Deus colocou-os no meu caminho”, afirmou em entrevista, ainda no hospital, ao canal de televisão TVV Noticias. “Desempenharam um papel fundamental no meio disto tudo porque, sem eles, eu não estaria aqui.”
O venezuelano, que quis agradecer a todos os operacionais que estiveram consigo “até ao final”, apelou àqueles que ainda estão à procura de familiares e entes queridos por entre os escombros para que mantenham a esperança.
Nesta entrevista, Hernán Gil fez um relato emocionante das horas de incerteza que viveu sob os escombros do centro comercial onde trabalhava após o desabamento da estrutura durante os sismos.
“Rezei muito, implorei muito a Deus e, acima de tudo, pensei na minha família, nos meus filhos, na minha esposa, e tantas, tantas coisas passaram pela minha cabeça, mas mantive sempre a calma, sempre”, confessou Hernán, ao recordar como se agarrou à fé para suportar a espera pela chegada das equipas de resgate.
Desde o primeiro momento, Hernán soube o que tinha acontecido: “Desde o primeiro instante eu soube que era um terramoto.”
Hernán aguentou oito dias sob os escombros, salvo por uma guarita de cimento que resistiu ao sismo e ao colapso do prédio, o que lhe permitiu sobreviver até que os socorristas conseguissem entrar em contato com ele e, após uma complexa operação que durou quase 72 horas, libertá-lo com vida.
O homem, de 43 anos, estava no turno da noite na cabine de vigilância do estacionamento subterrâneo quando os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 de 24 de junho causaram o desabamento do prédio de nove andares acima dele. Ao longo de oito dias, o vigilante daquele parque de estacionamento conseguia “deitar-se e sentar-se”, conforme explicou o comandante da FOCON, Hugo Santos, e os socorristas portugueses sabiam que a sua condição de saúde era no geral boa.
O seu resgate, que é considerado o mais emblemático da tragédia que abalou o norte da Venezuela, teve início na manhã de segunda-feira e, desde então, um grupo de 100 socorristas, entre os quais chilenos, norte-americanos, portugueses, costa-riquenhos e salvadorenhos, manteve-se em comunicação constante com Gil, hidratando-o e administrando-lhe medicação.
O sobrevivente está agora numa clínica em Caracas a receber cuidados médicos e em observação, após ter passado oito dias debaixo de escombros. Por protocolo e para efeitos de observação, Hernán Gil foi encaminhado para a Unidade de Cuidados Intensivos, mas está em bom estado e consciente.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 2.295 mortos e 11.267 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
O Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa voltou a partilhar algumas imagens do resgate de Hernán Gil, o venezuelano preso nos escombros de um centro comercial na sequência dos dois fortes que assolaram a Venezuela, na quarta-feira passada, dia 24 de junho.
Notícias ao Minuto | 14:36 – 03/07/2026





