
“Exigimos a libertação imediata e incondicional do bispo nicaraguense Abelardo Mata, que foi detido arbitrariamente pela ditadura de Murillo-Ortega”, publicou o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos na sua conta na rede social X.
Abelardo Mata, de 80 anos, foi detido pela polícia na passada segunda-feira, em retaliação a uma missa celebrada a 25 de junho na igreja Cruz del Calvario, na cidade nicaraguense de Estelí, no norte da Nicarágua.
“O bispo emérito Mata não representa qualquer ameaça para o regime sandinista e a sua saúde é frágil”, assinalou o gabinete ligado ao Departamento de Estado na mensagem partilhada pela Embaixada dos Estados Unidos em Manágua, capital da Nicarágua, nas suas redes sociais.
We demand the immediate and unconditional release of Nicaraguan Bishop Abelardo Mata who has been arbitrarily detained by the Murillo-Ortega dictatorship. 80-year old Bishop Mata poses no threat to the regime and his health is fragile. We further condemn the Murillo-Ortega…
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) July 4, 2026
Na homilia, o bispo pediu aos fiéis que rezassem pela Igreja católica perseguida, mencionando especificamente o bispo Rolando Álvarez e o sacerdote Frutos Valle.
“Condenamos ainda a contínua e cruel perseguição e repressão religiosa por parte da ditadura de Murillo-Ortega. Os ataques contra a liberdade religiosa têm de cessar”, advertiu Washington, referindo-se ao governo liderado pelo casal e copresidentes Daniel Ortega e Rosario Murillo.
O bispo octogenário terá sido detido sob o pretexto de ser alvo de uma investigação e, após várias horas, foi deixado sob vigilância na sua residência, na cidade de Tisma, província de Masaya, segundo fontes religiosas.
A Organização Não Governamental (ONG) Coletivo de Direitos Humanos para a Memória Histórica da Nicarágua explicou, numa declaração divulgada na altura, que Mata foi detido pela polícia no dia 29 de junho, juntamente com uma das suas colaboradoras, e que ambos foram libertados horas depois sob condições restritivas.
No entanto, um dia mais tarde, o bispo emérito foi detido sem que as autoridades tenham, até ao momento, fornecido informações sobre os motivos, o local para onde foi transferido, o seu estado de saúde ou a sua situação jurídica, de acordo com a mesma ONG.
Nesse mesmo dia, foram também detidos o padre Francisco Morales e o diácono Wilfred Aráuz, afirmou o Coletivo, composto na sua maioria por ativistas nicaraguenses exilados, com sede na Costa Rica.
As relações entre o Vaticano e Manágua estão oficialmente suspensas.
Em março de 2023, o Papa Francisco, que morreu em abril do ano passado, classificou o governo de Ortega na Nicarágua como uma “ditadura grosseira”, um mês após a condenação por “traição à pátria” do bispo Rolando Álvarez a 26 anos e quatro meses de prisão, agora exilado e com nacionalidade revogada.
Ortega, por sua vez, dissolveu e expropriou a Companhia de Jesus, ordem à qual pertencia o Sumo Pontífice, e também classificou a Igreja como uma “máfia” e antidemocrática.
Além disso, pelo menos 261 religiosos, incluindo o presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, Carlos Herrera, foram expulsos do país, em resultado da perseguição religiosa contra a Igreja Católica, de acordo com o relatório intitulado “Fé sob fogo”, da ONG humanitária Coletivo Nicarágua Nunca Mais.
AG // MAG
Lusa/Fim





