
Numa mensagem na rede social X após o encontro à margem da cimeira da NATO em Ancara, também confirmado por Merz, Zelensky reconheceu ainda os contributos da Alemanha para o programa PURL, que, a partir de 2025, permite a compra de sistemas antimíssil balísticos Patriot aos Estados Unidos com recursos de aliados, sobretudo europeus.
“Estamos também a preparar com a Alemanha um acordo para ‘drones’ e a trabalhar para estabelecer um sistema antimíssil balístico europeu conjunto”, escreveu Zelensky.
O Presidente ucraniano enfatizou que o desenvolvimento e fabrico deste sistema, que acabaria com a dependência dos sistemas de defesa aérea norte-americanos Patriot, “é a única forma de garantir uma proteção fiável” contra a ameaça de mísseis no continente.
Zelensky reuniu-se também em Ancara com outros líderes, incluindo o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, que anunciou uma nova contribuição financeira de 3 mil milhões de coroas norueguesas (aproximadamente 268 milhões de euros) para a defesa aérea ucraniana.
“A luta defensiva da Ucrânia é a nossa luta defensiva. A Ucrânia resiste aos ataques russos todos os dias. A Rússia continua a realizar ataques aéreos contra o povo, as cidades e as redes elétricas ucranianas”, afirmou Støre, segundo a agência de notícias norueguesa NTB.
Garantir acordos para reforçar as defesas aéreas ucranianas, particularmente contra os mísseis balísticos russos, aos quais a Ucrânia é vulnerável devido à escassez de sistemas Patriot e de mísseis para estes sistemas norte-americanos, é a principal prioridade de Zelensky nesta cimeira da NATO.
Também hoje, a Dinamarca e a Ucrânia assinaram um acordo que reforça os seus laços nas áreas da segurança, defesa, tecnologia e inovação, e que cria, nomeadamente, novas vias de cooperação entre as empresas ucranianas, dinamarquesas e europeias.
De acordo com uma declaração do ministro da Defesa dinamarquês, Jeppe Bruus, “o acordo abre caminho para que a indústria ucraniana comece a fornecer à Dinamarca capacidades de alta tecnologia a um preço competitivo” e facilita “a cooperação da Ucrânia com empresas dinamarquesas e europeias”.
O acordo permite, entre outras coisas, que as empresas de defesa ucranianas se estabeleçam na Dinamarca no âmbito da iniciativa “Construir com a Ucrânia”, através da qual o país invadido pela Rússia utiliza as capacidades industriais das nações europeias para fabricar sistemas para utilização militar.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).





