Sudão: Líder militar e do Governo reúne-se com delegação da União Africana



O chefe da delegação, o embaixador da Argélia junto da UA, Mohamed Khaled, descreveu o encontro como “frutífero” e destacou que permitiu abordar vários assuntos relacionados com a paz, segurança e estabilidade no Sudão, país que foi suspenso desta organização, após o golpe de Estado planeado em 2021 pelo Exército, que agora governa o país.

Khaled, cujo país exerce a presidência rotativa do Conselho de Paz e Segurança durante agosto, reafirmou o compromisso “firme e inabalável” do organismo africano com a soberania, a integridade territorial e a unidade nacional do Sudão, bem como com as aspirações da sua população de recuperar a paz, reconstruir o país e estabelecer um Governo democrático.

O primeiro-ministro sudanês, Kamel Idris, afirmou hoje, também durante a visita da delegação da UA a Cartum, que o diálogo entre sudaneses começará “em breve” e culminará em eleições livres e justas.

Na sua reunião com Al Burhan, a delegação africana instou o Governo e as forças políticas sudanesas a reforçar a inclusão no processo de transição e a trabalhar para alcançar um consenso nacional que permita estabelecer um sistema constitucional através de eleições “livres e justas”.

Desde o início da guerra em abril de 2023, todas as tentativas de diálogo e de paz para o Sudão – muitas delas lideradas pela UA – falharam, tanto por falta de vontade política como pelos rápidos desenvolvimentos nas frentes de batalha, especialmente nas regiões sudoeste de Kordofan e Darfur.

Os três anos de guerra no Sudão entre o Exército e os paramilitares causaram a morte de cerca de 400 mil pessoas — segundo estimativas dos EUA —, levaram mais de 21,2 milhões de pessoas a uma situação de fome aguda e obrigaram outros cerca de 14 milhões a abandonar as suas casas, transformando o Sudão no palco da pior crise de deslocamento e fome do mundo, segundo a ONU.

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