
Ebba Karlsson acusa Daniel Siad, um caça-talentos de modelos franco-sueco, que foi encontrado morto em julho e estava a ser investigado em França por acusações de violação e tráfico humano, suspeito de recrutar e enviar mulheres jovens para a rede de Epstein.
A intimação do Estado perante o tribunal judicial de Paris foi apresentada pela antiga modelo sueca a 21 de agosto, com uma audiência inicial marcada para 2027, segundo informações consultadas hoje pela agência France-Presse (AFP).
A morte de Siad extinguiu as investigações contra ele, mas prossegue a investigação do gabinete do procurador de Paris sobre o caso Epstein.
“Houve uma oportunidade de o ouvir, mas nada foi feito durante meses”, disse Ebba Karlsson à estação de televisão francesa BFMTV em meados de agosto, depois de revelar a intenção de processar o Estado francês, em declarações à rádio RTL.
Os advogados de Karlsson insistem na ausência de custódia policial e audiência de Daniel Siad, denunciando “uma inação culposa do serviço público da justiça”.
A acusação pede ao tribunal que determine a “disfunção do serviço público da justiça” e que decida que constitui “negligência grave” e reclama 50.000 euros pelos “danos sofridos” por Ebba Karlsson.
A mulher de 50 anos tinha apresentado uma queixa no início deste ano em Paris, alegando ter reconhecido, numa fotografia nos arquivos Epstein, Daniel Siad, a quem acusa de violação em França nos anos 1990, mas o advogado do antigo caça-talentos reclamava a inocência.
“Daniel Siad foi alvo de técnicas de investigação especiais e, em particular, de escutas telefónicas, sem que estas tivessem até agora fornecido qualquer prova que justificasse a sua detenção imediata”, disse a procuradora parisiense Laure Beccuau num comunicado após a morte do suspeito.
“É muito importante ouvir Gérald Marie antes que seja tarde demais”, afirmou também Karlsson, acusando o antigo chefe da agência de modelos Elite, que Daniel Siad alegadamente lhe apresentou, de a ter violado em Paris.
“Nunca violei ninguém, nem tive necessidade de violar ninguém”, disse hoje Marie à rádio francesa RTL.
A organização Inocência em Perigo juntou-se à ação de Ebba Karlsson para responsabilizar o Estado francês.
A associação afirmou partilhar “a raiva de todas as vítimas deste terrível caso”.
Num procedimento separado, apresentado a 31 de julho – com primeira audiência em 2027 -, a Inocência em Perigo, também processou o Estado perante o tribunal judicial de Paris.
O advogado da organização, Jean Sannier, apontou para um “funcionamento defeituoso do serviço público da justiça”, uma “negligência grave” e uma “negação de justiça” na sua gestão da parte francesa do caso Epstein e reclamou 15.000 euros em “indemnizações”.
A associação lamentou em particular um “calendário cuja lentidão parece objetivamente difícil de conciliar com os requisitos associados a uma investigação criminal desta natureza”.
A Inocência em Perigo recordou que “contactou o procurador público no tribunal judicial de Paris já em julho de 2019”.
A associação referiu as “muitas ligações com o território francês” neste vasto caso, tanto devido às “viagens regulares de Jeffrey Epstein a Paris” como às “suas relações contínuas com vários intermediários, recrutadores ou atores no mundo da moda estabelecidos em França”.
Apontou em particular “a sucessão de atrasos” e “a falta de explicação para certos períodos de aparente inatividade do procedimento”.
A organização lamentou a morte de “várias pessoas que provavelmente serão de interesse para as investigações”, incluindo Jean-Luc Brunel em fevereiro de 2022, um agente de modelos francês e alegadamente outro angariador de Jeffrey Epstein, que se suicidou em detenção, e, mais recentemente, Daniel Siad.
Após a publicação de milhões de documentos relacionados com Jeffrey Epstein, o gabinete do procurador de Paris anunciou no início de 2026 que iria remeter o assunto ao tribunal para analisar possíveis crimes relacionados com franceses e realizar “uma reanálise completa do processo de investigação” do caso Brunel.





