Droga: Procurador de Bruxelas diz que “qualquer pessoa pode ser alvejada”



“Sou um procurador preocupado, pois qualquer pessoa pode ser alvejada”, declarou, em conferência de imprensa, Julien Moinil, o procurador da capital belga, cidade que é também sede das instituições europeias e da NATO.

Desde 2025, foram registados em Bruxelas 170 tiroteios, dos quais 69 no ano em curso, na sua esmagadora maioria relacionados com o tráfico de droga.

Na mais recente vaga de tiroteios – foram registados três em outros tantos dias no final de agosto –, uma esquadra foi visada com tiros de Kalashnikov por dois indivíduos encapuzados.

Na maioria destes incidentes, trata-se de acertos de contas entre dois grupos criminosos, tendo o procurador indicado que, “manifestamente, houve um desentendimento entre eles e, por isso, assiste-se a uma dinâmica de retaliações”, que, advertiu, não vai parar enquanto os líderes das respetivas redes, muitos dos quais se encontram no estrangeiro, não forem detidos.

Alguns chefes de grupos criminosos estão presos, mas continuam a ordenar estes tiroteios a partir das suas celas, denunciou ainda o magistrado, que apelou por isso às autoridades para equiparem as prisões com inibidores de telemóveis, a fim de impedir a continuação destas atividades criminosas.

De acordo com o procurador, que há muito vem pedindo um reforço de meios, queixando-se de não estar a ser “levado a sério”, é igualmente indispensável reforçar, com dezenas de inspetores, a polícia judiciária belga, a única capaz de desmantelar estas redes, que dispõem de uma “mão-de-obra” abundante e facilmente renovável.

Dezenas de jovens franceses, na sua maioria menores, são recrutados por estas redes, no norte de França ou em Marselha, e a justiça revela-se frequentemente impotente, mesmo quando os detém.

“Já tínhamos constatado isto, mas agora está a assumir uma dimensão muito preocupante”, sublinhou Moinil, revelando que já se reuniu com os seus homólogos de Marselha e de Lille para discutir este assunto.

Outro motivo de preocupação são os autores de delitos, estrangeiros em situação irregular, mas que continuam presentes no território, dando como exemplo a recente detenção de cerca de duas dezenas de cidadãos estrangeiros ligados ao tráfico de droga.

No entanto, denunciou, “o Serviço de Estrangeiros libertou essas 20 pessoas”, algo que não é novo, pois, só no ano passado, a polícia de Bruxelas deteve 7.000 pessoas em situação irregular, mas mais de 90% não foram alvo de qualquer medida coerciva.

“Num país que funciona normalmente, uma pessoa que não tem autorização de residência e que vende cocaína deve ser expulsa”, afirmou.

Estes dois fenómenos — estrangeiros em situação irregular e menores de idade — permitem que as redes criminosas disponham de uma “mão-de-obra gigantesca”, lamentou ainda.

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