
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (9) a Operação Dreno, com o objetivo de aprofundar a investigação sobre possível apropriação e desvio de recursos públicos provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), utilizados nas eleições municipais de 2024 em Rondônia. Foram cumpridas medidas judiciais em Ji-Paraná, Nova Mamoré e Porto Velho.
Segundo nota oficial da corporação, a investigação teve início a partir da análise da prestação de contas eleitoral e identificou movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo uma empresa responsável pela prestação de serviços contábeis a campanhas eleitorais. As apurações apontam o recebimento de valores expressivos de origem eleitoral, seguidos de transferências para pessoas físicas e jurídicas relacionadas, além de outras movimentações cuja vinculação com os serviços declarados é objeto da investigação.
Durante as buscas, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e aproximadamente R$ 56,3 mil em dinheiro em espécie. As investigações seguem para apurar, entre outros pontos, eventual prática do crime previsto no artigo 354-A do Código Eleitoral, sem prejuízo de outros delitos que possam ser identificados no decorrer das apurações.
Em Ji-Paraná, a operação atingiu a vice-prefeita do município, que concedeu entrevista na manhã desta quarta-feira relatando o que aconteceu. Segundo ela, foi surpreendida pela chegada de agentes da Polícia Federal em sua residência, ainda pela manhã. “Fui surpreendida hoje de manhã e eu pensando: se hoje eu vou dormir até um pouco mais tarde, mais tranquila, mas, de repente, acordei com a Polícia Federal na minha porta querendo alguns esclarecimentos”, relatou.
A vice-prefeita afirmou que questionou os agentes sobre o motivo da visita, mas não obteve detalhes na hora, recebendo apenas um documento formal. Segundo ela, os papéis entregues fazem referência à prestação de contas da campanha de 2024, na qual concorreu na chapa de prefeito e vice. Ela relatou ter sido intimada, já ter comparecido para prestar depoimento e ter sido ouvida pelas autoridades, sem que os motivos da investigação fossem esclarecidos diretamente a ela. Segundo a vice-prefeita, seus advogados já protocolaram petição solicitando acesso aos autos do processo para viabilizar sua defesa.
Questionada sobre boatos que circulavam relacionando a operação a uma suposta coação de funcionários para votarem em determinado candidato na eleição atual, a vice-prefeita negou qualquer ligação. “Não tem nada a ver. Você vê que é da eleição de 2024, não tem nada a ver com essa eleição de agora. Não está acontecendo isso. Todo mundo é livre para votar e trabalhar em quem quiser”, declarou.
Até o momento, a Polícia Federal não confirmou oficialmente o nome de investigados na Operação Dreno. A reportagem segue acompanhando o caso e aguarda novas informações.





