
O procurador do tribunal libanês pediu ao juiz responsável pelo processo, Tarek Bitar, que “iniciasse procedimentos legais contra o [ex-]presidente Aoun”, afirmou à agência France-Presse (AFP) a fonte, que pediu anonimato.
Segundo a mesma fonte, o pedido baseia-se no facto de Aoun ter tido conhecimento prévio da presença de nitrato de amónio no porto e dos riscos associados, “sem ter tomado as medidas necessárias nem ter acionado o Conselho Superior de Defesa”.
A gigantesca explosão de 04 de agosto de 2020 matou mais de 200 pessoas, provocou mais de 6.500 feridos e devastou grande parte da capital libanesa.
Segundo as autoridades, a explosão foi provocada por um incêndio num armazém onde estavam guardadas, em condições precárias, 2.750 toneladas de nitrato de amónio, apesar de sucessivos alertas enviados às mais altas autoridades do país.
Até hoje, ninguém foi responsabilizado pela tragédia.
Em março, uma fonte judicial informou que Tarek Bitar tinha concluído a investigação e remetido o processo ao Ministério Público para análise.
O procurador Mohammad Saab apresentou hoje o seu relatório, que aponta responsabilidades a mais de 70 pessoas investigadas, entre atuais e antigos responsáveis políticos, chefes dos serviços de segurança e das forças armadas e funcionários públicos.
Caberá agora a Tarek Bitar decidir sobre o prosseguimento do processo, devendo o juiz pronunciar-se nas próximas semanas.
A investigação à explosão, que se tornou um símbolo da impunidade no Líbano, esteve paralisada desde 2023 devido a disputas políticas e judiciais.
O movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão, promoveu uma campanha para exigir o afastamento de Bitar, que foi também alvo de dezenas de recursos judiciais destinados a retirá-lo do processo.
O juiz retomou a investigação em 2025, num contexto de mudança política no país e após a tomada de posse do Presidente, Joseph Aoun, e do primeiro-ministro, Nawaf Salam, na sequência da guerra de 2023-2024 entre Israel e o Hezbollah, que enfraqueceu o grupo libanês.
Desde então, foram removidos vários obstáculos legais que condicionavam o trabalho do magistrado, incluindo a proibição de viajar que lhe tinha sido imposta.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, considerou hoje, na véspera do sexto aniversário da explosão no porto de Beirute, que a emissão da acusação formal neste processo é “uma necessidade” que já não pode ser adiada.
Lusa | 12:03 – 03/08/2026





