
Os dois estados mais populosos da Etiópia, Oromia e Amhara, enfrentam grupos armados que se opõem às forças federais e há conflitos armados de maior ou menor intensidade, com dinâmicas e reivindicações diversas, também noutros estados deste país da África Oriental, o segundo mais populoso do continente, com cerca de 130 milhões de habitantes.
Na segunda-feira, um grupo armado que reivindica ser das milícias de “autodefesa” da etnia amhara Fano “atacou a localidade de Walga”, no estado da Etiópia Central, situada a cerca de 150 quilómetros a sudeste da capital, Adis Abeba, afirmou Jalale Getachew Birru, analista da organização Armed Conflict Location & Event Data (Acled) à agência France-Presse (AFP).
“Este ataque causou entre 14 e 17 mortos e mais de 10 pessoas (foram) raptadas”, prosseguiu.
“Os ataques realizados por este grupo são frequentes nesta zona (…) e são frequentemente acompanhados de exigências de fortes resgates para a libertação dos reféns”, explicou a analista.
Segundo a especialista, o grupo armado dedica-se essencialmente a atividades criminosas e não é reconhecido pela liderança dos Fano, milícias populares tradicionais que pegaram em armas contra o Governo federal etíope em abril de 2023.
Os Fano, até recentemente um conjunto de grupos amplamente autónomos sem um verdadeiro comando central, reagruparam-se nos últimos meses.
Segundo um morador da localidade atacada, que solicitou anonimato, “16 pessoas foram mortas” e a mesma fonte calcula que o mesmo número de pessoas – mulheres e crianças – foram raptadas e que foi exigido resgates que oscilam entre os 150.000 e 800.000 birr (entre 800 e 4.270 euros ao câmbio atual), somas consideráveis na Etiópia.
Várias regiões da Etiópia são palco de vagas de raptos com o intuito de obter resgates. Segundo os observadores, o fenómeno ganhou dimensão desde o final de 2022.





