
A indignação está a crescer na Suíça devido à reabertura de vários estabelecimentos pertencentes ao casal Moretti, proprietário do bar La Constellation, na estância de esqui Crans-Montana, onde morreram 40 pessoas num incêndio na noite de Ano Novo.
Conta o jornal Le Parisien que o restaurante Vieux Chalet, na rua principal de Lens, permanece fechado desde o início de janeiro, mas tem sido submetido a obras de remodelação, o que indica que poderá reabrir entretanto. Este elegante restaurante é um dos estabelecimentos de Jacques e Jessica Moretti, os dois proprietários do bar Le Constellation, cujo incêndio mortal a 1 de janeiro tirou a vida de 41 pessoas e feriu outras 115.
O casal também já reabriu o Le Senso, outro restaurante que possui em Crans-Montana.
A possibilidade de abrir mais estabelecimentos está a gerar uma onda de indignação. As famílias das vítimas suíças, francesas e italianas lançaram, por isso, uma petição para o impedir – e que já reúne mais de 25.000 assinaturas.
O texto apela ao sentido de “decência”: “Não estamos a pedir ao sistema judiciário que condene ninguém antes do julgamento. Respeitamos a presunção de inocência. Mas a decência também é um princípio. Assim como o respeito pelos mortos. E também a contenção diante de 41 caixões e 115 feridos. Não se reabrem as portas ao público quando o processo judicial ainda não foi encerrado.”
Os réus estão acusados, entre outras coisas, de “incêndio criminoso por negligência”, e a possibilidade de reabrirem mais um estabelecimento está a causar uma onda de indignação na Suíça e além-fronteiras.
Os proprietários do bar Le Constellation estão também a ser alvo de uma investigação criminal por parte do Ministério Público italiano, uma vez que entre as vítimas mortais estavam seis adolescentes italianos.
Na tragédia daquela localidade alpina, além das 41 vítimas mortais, na sua maioria menores de idade, outras 115 pessoas ficaram feridas, a grande maioria com queimaduras graves.
A investigação por “incêndio criminoso por negligência, homicídio culposo por negligência e ofensas corporais graves por negligência” abrange nove pessoas, incluindo os proprietários franceses do bar, o atual responsável pelo segurança de Crans-Montana e o antecessor.
O incêndio no bar, onde estavam sobretudo adolescentes e jovens adultos, foi causado por faíscas de velas que incendiaram a espuma de isolamento acústico no teto do estabelecimento, de acordo com a investigação.
A investigação procura apurar as circunstâncias exatas do incêndio e se os proprietários cumpriram as normas de segurança, bem como as várias responsabilidades envolvidas.
A autarquia admitiu não ter realizado inspeções de segurança e de incêndio no estabelecimento desde 2019, apesar de serem obrigatórias anualmente.
A Itália vai constituir-se como parte civil no futuro julgamento do incêndio numa discoteca na estância suíça de Crans-Montana na noite de Ano Novo, anunciou hoje o Governo italiano.
Lusa | 18:20 – 29/04/2026





