Dono procura-se: Adolescente encontra tesouro de ouro perdido na Bélgica



Há uma semana, um adolescente da cidade belga de Dendermonde, a noroeste de Bruxelas, encontrou um tesouro de ouro perdido enquanto se encontrava a trabalhar numa obra durante o verão. 

O jovem descobriu um conjunto de barras e moedas de ouro – avaliadas em cerca de 9 milhões de euros – enterrado nas fundações de um prédio em remodelações.

O ouro está, para já, escondido e guardado em segurança, segundo a polícia local que procura agora o legítimo dono. E lá permanecerá até os investigadores conseguirem determinar a sua origem. 

O mistério tem intrigado moradores, historiadores e até autoridades da tranquila cidade desde que o tesouro foi desenterrado do local que antes era a propriedade dos Van Assches, uma rica família local de cervejeiros.

Um dos moradores, Luc Michiels explicou à edição internacional do El País que tem passado dias a tentar perceber de onde poderá ter vindo o ouro, mas sem sucesso. “É incrível. Como é que é possível que ninguém soubesse que o ouro estava escondido”, questionou o também presidente da sociedade histórica da cidade.

Como guardião dos arquivos da antiga cervejaria que ficava atrás da mansão da família, agora em ruínas, Michiels parece estar numa posição privilegiada para desvendar o mistério. Mas a resposta também não parece estar nos documentos.

Inicialmente, tal como a polícia, que foi chamada assim que o ouro foi encontrado, Michiels pensou que a família deveria ter escondido as posses durante a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial por medo de que fossem roubadas pelos soldados alemães invasores. Mas a teoria caiu por terra depois de perceberem que várias das barras são bem mais recentes – algumas datam de 1957 e 1960.

A cervejaria fechou na década de 1970 e Michiels conheceu os últimos membros da família Van Assche: três irmãos, dois homens e uma mulher, que morreram sem filhos entre os anos 60 e 80. Recorda a família como sendo muito “reservada”, “snob”, bastante “avarenta”, mantendo-se afastada da comunidade local. 

No testamento que foi conhecido após a morte de Maria Van Assche, a última descendente direta da dinastia cervejeira foi tudo deixado à Abadia de Dendermonde, com instruções rigorosas para que fosse usado para causas beneficentes, mas não havia menção a nenhum tesouro. “É estranho que o testamento não mencione isso”, referiu ainda.

Patrick Feys, chefe de polícia de Dendermonde, também gostaria de saber a quem pertencem as várias dezenas de barras de ouro e milhares de moedas, incluindo soberanos de ouro, um ativo de investimento popular que agora é negociado a quase 1.000 euros a moeda.

No total, o tesouro está avaliado em cerca de 9 milhões de euros à taxa de câmbio atual. Inicialmente, foi guardado na esquadra sob medidas de segurança extraordinárias, com três agentes de vigia e três câmaras adicionais. Mas Feys diz ter ficado aliviado quando o tesouro foi transferido para um “local seguro” que se recusa a revelar.

Vários donos, até reencarnados?

Ainda não se sabe quem vai ficar com o tesouro, mas segundo conta a polícia, várias pessoas de todo o mundo já se apresentaram para o reivindicar e com todo o tipo de argumentos.

Num e-mail que Feys recebeu recentemente, um homem de um país asiático dizia “ter reencarnado, lembra-se de ter vivido na Bélgica na década de 1960 e de ter escondido um tesouro, mas não se recorda de onde, que pensou que fosse apenas um sonho até ver as notícias e perceber que era verdade”, relatou. O departamento de polícia de Dendermonde aproveitou para recorrer ao Facebook e alertar o visado de que “reencarnação ainda não é considerada prova válida”.

Outro pretendente, escreve da Lituânia e diz que o avô costumava contar uma história, na qual ninguém acreditava, de que tinha trabalhado para a família Van Assche e que os tinha ajudado a esconder o tesouro, parte do qual lhe pertencia. Agora, o neto reivindica a herança.

Alguns habitantes locais também têm vindo a alegar ligações familiares com os proprietários da cervejaria e com exceção dos casos mais improváveis, que são ignorados de imediato, a polícia tem orientado os denunciantes a contactarem advogados especializados.

Segundo a lei belga, as autoridades têm até cinco anos para determinar a origem de uma fortuna deste tipo. Caso não seja possível apurá-la, o beneficiário mais provável é a instituição de caridade local, que atualmente detém a propriedade do terreno onde o tesouro foi encontrado.

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