A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais envolveu viagens em aviões particulares, deslocamentos de van e a possível participação de um ex-integrante do serviço de inteligência de Israel. Os detalhes foram apresentados pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (1º), com base em registros migratórios e informações reunidas durante a investigação.
Uma das descobertas é que o nome do senador aparece três vezes nos registros de entrada na Argentina, em um intervalo de apenas 34 minutos. Os documentos indicam que foram utilizados um passaporte italiano, uma carteira de motorista e um passaporte brasileiro. Apenas o primeiro registro permaneceu válido.
A Polícia Federal investiga como Flávio deixou o país depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes e proibir sua saída do território brasileiro.
Como Flávio Bolsonaro deixou o Brasil
Segundo a reportagem do Fantástico, uma das rotas investigadas indica que Flávio teria deixado Brasília às 5h05 de terça-feira (27) em um avião particular.
A aeronave teria pousado às 8h40 em San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires. De lá, o senador teria embarcado em outro voo privado com destino a Puerto Iguazú, cidade argentina próxima à fronteira com o Brasil.
A esposa do parlamentar, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal teriam seguido um trajeto diferente. Elas partiram de Brasília de avião até Cascavel, no Paraná, e, por volta das 20h, embarcaram em uma van para atravessar a fronteira em Foz do Iguaçu.
Os registros da imigração argentina mostram três entradas em nome de Flávio: às 22h37, com o passaporte italiano; às 22h40, com a carteira de motorista; e às 23h11, com o passaporte brasileiro.
Apesar dos registros terrestres, a principal hipótese apresentada pelo Fantástico é que Flávio tenha chegado a Puerto Iguazú de avião e permanecido na aeronave enquanto aguardava a família.
A investigação procura esclarecer por que o nome do senador apareceu nos registros de uma van caso ele tenha realizado o deslocamento por via aérea.
Quem é o ex-agente secreto citado na investigação?
Outro ponto da reportagem envolve o israelense Menachem Booky Halevy, identificado como ex-integrante do serviço de inteligência de Israel.
Segundo o Fantástico, Halevy estava em uma segunda van que atravessou a fronteira sete minutos antes do veículo associado à família de Flávio Bolsonaro.
Ele é investigado por uma possível participação na organização da saída do senador do Brasil.
A CNN Brasil já havia publicado, em 30 de outubro, que um ex-agente da inteligência israelense teria acompanhado a operação. Segundo a emissora, o homem chegou ao Brasil em 19 de outubro, antes do segundo turno das eleições presidenciais.
A reportagem da CNN também apontou que a viagem teria contado com apoio logístico internacional. Essas informações são atribuídas a investigadores ouvidos pelo veículo e ainda dependem do esclarecimento completo das autoridades.
O que aconteceu depois da chegada à Argentina
De Puerto Iguazú, Flávio Bolsonaro e sua família seguiram para os Estados Unidos em um avião particular.
De acordo com informações publicadas pela CNN Brasil, a aeronave era um Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly.
O voo fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a Flórida. O desembarque ocorreu no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, na quarta-feira (28).
A imprensa argentina também publicou relatos sobre a utilização de veículos e aeronaves para dificultar a identificação do trajeto realizado pelo senador.
O jornal Clarín afirmou que a operação teria envolvido a contratação de diferentes jatos particulares e a participação de agentes ou representantes dos Estados Unidos em território argentino. Essas alegações não foram confirmadas oficialmente pelos governos citados.
O que diz a Polícia Federal
A Polícia Federal confirmou, em 28 de outubro, que investiga as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Segundo a corporação, não foram encontrados registros oficiais de passagem do senador pelos postos brasileiros de controle migratório.
A PF também informou que os passaportes brasileiros, comum e diplomático, foram cancelados após a decisão judicial.
Em nota divulgada à imprensa, a instituição esclareceu que “a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”.
A investigação ocorre no contexto de apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro?
O advogado Frederick Wassef contestou a caracterização da viagem como fuga, segundo a cobertura do Fantástico.
A saída do senador ocorreu após o segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro, quando Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão de Alexandre de Moraes determinava que o parlamentar entregasse seus passaportes e não deixasse o país. A Polícia Federal apura como a viagem foi realizada apesar dessas restrições.

Senador publicou uma nota nas redes sociais neste domingo (1º) e acusou a TV Globo de desistir de uma entrevista depois que ele exigiu a exibição integral da conversa. Flávio também questionou a cobertura do Fantástico sobre sua saída do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais
Notícias ao Minuto | 04:43 – 02/11/2026



