Lukashenko reúne-se com Putin após tensão com a Ucrânia



“O presidente [Vladimir] Putin vai reunir-se com o Presidente bielorrusso Alexander Lukashenko na residência de Valdai”, confirmou à imprensa russa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Peskov acrescentou que os dois líderes irão abordar “diversos temas de cooperação comercial e económica, a implementação de projetos económicos conjuntos e questões relacionadas com a segurança regional”.

Além disso, Putin e Lukashenko irão discutir outros assuntos urgentes, acrescentou Peskov.

A visita de Lukashenko ocorre horas depois de o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter alertado para os alegados planos de Moscovo e Minsk no sentido de a Bielorrússia se envolver de forma mais ativa na guerra iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022.

Segundo o líder ucraniano, documentos obtidos pelos serviços de informações externos de Kiev revelam que as autoridades bielorrussas estão a concluir a construção de estradas, um depósito de combustível e outro de munições junto à fronteira.

Ao mesmo tempo, Zelensky afirmou na quinta-feira que os amplificadores de comunicações instalados em zonas da Bielorrússia na fronteira com a Ucrânia que, segundo denunciou na semana passada, ajudavam os operadores de drones russos a dirigir os ataques contra o norte da Ucrânia, tinham deixado de funcionar a 22 de junho.

Lukashenko afirmou esta semana que se tinha reunido em Minsk com representantes de Zelensky e lhes reiterou que a Bielorrússia não pretende agravar o conflito.

“Recentemente, estiveram aqui os representantes de [Volodymyr] Zelensky”, afirmou Alexander Lukashenko na quinta-feira, citado pela agência de notícias bielorrusso BELTA, durante um encontro com o governador da região de Moscovo, Andrei Vorobiov.

“Se ele [Zelensky] acha que pode falar-nos assim e depois arrastar-nos para a guerra, deve compreender que a natureza da guerra mudará radicalmente”, disse o líder bielorrusso.

Lukashenko referia-se a um ultimato que Zelensky apresentou à Bielorrússia para desligar os dispositivos que permitem amplificar o sinal de redes (também designados como repetidores) que permitem ao exército russo controlar os aparelhos aéreos não tripulados (drones) usados em ataques contra o norte da Ucrânia.

Entretanto, Moscovo acusa Kiev de tentar envolver a Bielorrússia em ações bélicas diretas na Ucrânia e garante que apoiará Minsk, em conformidade com os acordos bilaterais de segurança assinados por ambos os países.

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