Paquistaneses relatam bloqueio da al-Jazeera após críticas do governo



Utilizadores das redes sociais alegam que o meio de notícias foi bloqueado em resposta à sua cobertura das manifestações lideradas pelo Comité Conjunto de Ação Popular (JAAC, na sigla em inglês), um grupo de defesa dos direitos humanos que exige reformas políticas na Caxemira administrada pelo Paquistão.

Islamabad não confirmou oficialmente as alegações de bloqueio.

Segundo dados oficiais, desde o início de junho já morreram 20 pessoas na sequência de protestos na cidade de Rawalakot, localizada na região da Caxemira administrada pelo Paquistão.

O JAAC, no entanto, afirma que quase 90 pessoas morreram em confrontos com as forças de segurança.

A situação tem ficado mais tensa à medida que decorrem eleições gerais na Caxemira administrada pelo Paquistão, com a terceira e última volta das votações marcada para a próxima segunda-feira.

O comité JAAC, que ganhou enorme popularidade ao unir cidadãos de diferentes quadrantes políticos e classes sociais (como comerciantes, estudantes e advogados) em grandes protestos contra o Governo de Azad Kashmir, instou as pessoas a rejeitarem o processo eleitoral.

O partido Pakistan Tehreek-e-Insaf, liderado pelo ex-primeiro-ministro Imran Khan, que está preso, boicotou as eleições gerais.

A al-Jazeera tem feito uma ampla cobertura dos protestos em Caxemira e do processo eleitoral.

“Os residentes de Muzaffarabad, na Caxemira administrada pelo Paquistão, boicotaram as eleições com uma greve. Os manifestantes questionam como pode avançar com a votação após a onda de violência que fez pelo menos 80 mortos desde junho”, noticiou a al-Jazeera no domingo.

O Ministério da Informação e Radiodifusão do Paquistão respondeu, logo no domingo à noite, dando conta de que o Governo tinha “tomado conhecimento da cobertura seletiva” da al-Jazeera.

“Através de momentos cuidadosamente escolhidos e de declarações ensaiadas de indivíduos selecionados, o canal tentou deturpar as eleições no Azad Kashmir [Caxemira paquistanesa] e o processo de votação”, criticou o ministério.

Ao longo dos anos, o Paquistão tem intensificado a censura aos meios de comunicação social através de vigilância digital, legislação repressiva e ações judiciais contra jornalistas, implementadas em grande parte pela Lei de Prevenção do Crime Eletrónico.

Promulgada em 2016, a lei é utilizada pelo Governo do Paquistão para regular a atividade digital, investigar cibercrimes e policiar conteúdos na internet.

A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras classificou o Paquistão em 153.º lugar entre 180 países no seu Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026.

O grupo apontou o Paquistão como um dos locais mais perigosos do mundo para exercer jornalismo.

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