“Só idiotas ou traidores” podem alegrar-se com vitória da AfD na Alemanha



“Na Polónia, só os idiotas ou os traidores podem regozijar-se com o triunfo da AfD na Alemanha. Juntaram-se uns quantos na Confederação e no PiS”, afirmou Tusk nas redes sociais, referindo-se à Confederação de Liberdade e Independência, da extrema-direita, e ao partido Lei e Justiça (Pis), do ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski.

Tusk respondeu assim a dirigentes políticos como o deputado da Confederação Jacek Wilk, que expressou a sua satisfação com a vitória da AfD, publicando nas redes sociais os resultados das sondagens à boca das urnas e classificando-as como um “KO” (abreviatura do termo em inglês ‘knockout’, que significa derrotar com golpes violentos o adversário, em várias modalidades desportivas de combate físico).

“A Alemanha está a erguer-se”, escreveu o deputado da extrema-direita polaca.

Também o ex-vice-presidente do Parlamento Europeu Zdzislaw Krasnodebski, ligado ao PiS e atualmente membro do Novo Conselho Constitucional do Presidente, Karol Mawrocki, elogiou a elevada participação nas eleições regionais alemãs, afirmando tratar-se de “uma grande celebração da democracia”.

Criticou ainda a União Democrata-Cristã (CDU) do chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmando que “deveria ir-se embora o mais rapidamente possível”.

“Mas certamente não levaria Tusk com ele”, acrescentou.

Por sua vez, em França, o ministro para a Europa, Benjamin Haddad, considerou hoje a vitória da extrema-direita no estado federado alemão da Saxónia-Anhalt “um momento grave na Europa”, exortando a que “nunca se deixe de defender” os valores democráticos e o projeto europeu.

“É um momento grave na Europa ver a extrema-direita vencer uma eleição regional na Alemanha”, escreveu Benjamin Haddad na rede social X.

“Devemos ouvir com humildade a ira, as preocupações, os medos e responder-lhes. Mas o nacionalismo e a xenofobia nunca serão uma solução”, sublinhou.

“Não podemos esquecer a nossa história. É esse o significado por detrás das escolhas feitas por França e pela Alemanha”, acrescentou.

Com quase 44% dos votos na Saxónia-Anhalt, um dos seus bastiões na antiga Alemanha de Leste, o AfD está muito à frente da CDU, com menos de 18%, segundo os resultados preliminares divulgados pelas estações de televisão públicas ARD e ZDF.

Prevê-se que a extrema-direita conquiste 39 lugares no parlamento regional, menos três do que a maioria absoluta, abrindo caminho a um período de negociações.

Para alcançar esse objetivo, terá de atrair elementos de outros partidos, como a CDU, ou formar uma aliança temporária com o movimento de esquerda pró-Rússia BSW, por exemplo, que, segundo a ZDF e a ARD, tem quatro assentos parlamentares e está aberto a negociar caso a caso.

Os sociais-democratas (SPD), o partido de esquerda radical Die Linke e os Verdes têm até agora todos cerca de 9% – uma percentagem demasiado baixa para impedir que o AfD governe.

Nenhuma região alemã foi governada pela extrema-direita desde 1945.

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