
Vinte corpos “foram retirados dos escombros do edifício que ruiu (…). Entre os mortos estão cinco crianças e dezenas de pessoas ainda estão presas” debaixo dos escombros, declarou a Defesa Civil, que funciona como serviço de resgate sob a autoridade do grupo islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza.
As autoridades de socorro haviam indicado anteriormente a morte de 13 pessoas.
Segundo a Defesa Civil de Gaza, mais de duas dezenas de pessoas ficaram feridas. As operações continuam no local para tentar localizar outras dezenas de pessoas que continuam desaparecidas após a derrocada.
Numa declaração, a assessoria de imprensa do Hamas referiu que os moradores tinham sido aconselhados a não regressar ao edifício após os ataques, mas muitos correram o risco de voltar a ocupá-lo, apesar de tudo, diante da dimensão da destruição no território e da falta de habitação.
“Responsabilizamos plena e diretamente a ocupação israelita e a comunidade internacional por esta catástrofe que atinge o nosso povo”, acusou o gabinete de imprensa do Hamas na sua declaração.
“Também os responsabilizamos por todas as consequências e repercussões da contínua, perigosa e sem precedentes deterioração humanitária que mais de 2,4 milhões de pessoas na Faixa de Gaza estão a enfrentar”, acrescentou a assessoria do Hamas.
A Defesa Civil detalhou também que dezenas de deslocados estavam no edifício depois de “terem sido forçados a viver ali devido à agressão israelita”.
O edifício, de seis andares e conhecido como “Edifício da Felicidade”, albergava “cerca de uma centena de pessoas” que viviam em “dezenas de barracas”.
“Metade delas eram crianças inocentes com os pais e as mães. Agora, estão debaixo dos escombros”, apontou o comunicado.
“Esta tragédia recorda-nos, mais uma vez, os milhares de mártires que perderam a vida em consequência dos ataques israelitas contra edifícios e habitações, bem como os milhares que permanecem desaparecidos sob os escombros, sem possibilidade de resgate devido à intransigência da ocupação [referindo-se a Israel] e à sua recusa em permitir a entrada de equipamento, maquinaria, escavadoras e pás mecânicas necessárias para lidar com estes trágicos acontecimentos”, apontou a nota da Defesa Civil.
Neste sentido, houve um alerta sobre possíveis derrocadas de outros edifícios afetados pelos ataques israelitas e uma insistência na necessidade de permitir a entrada de equipamentos e maquinaria para trabalhos de busca e salvamento, sobretudo diante dos “desastres” que poderão ocorrer com a chegada do inverno e o agravamento das condições climáticas.
As autoridades de Gaza, através da sua assessoria, destacaram que o episódio “agrava a catástrofe humanitária” na região.
“Responsabilizamos totalmente a ocupação e a comunidade internacional”, afirmou o organismo, acusando Israel de “obstruir deliberadamente as operações de resgate” ao impedir a entrada de equipamentos.
“As vítimas desta tragédia somam-se aos mais de 8.500 desaparecidos sob os escombros em várias províncias da Faixa de Gaza, tornando urgente uma intervenção para resgatá-los”, declararam as autoridades de Gaza, sublinhando o risco enfrentado por “milhares” de edifícios danificados pela ofensiva lançada por Israel no enclave, após os ataques do grupo islamita Hamas contra o território israelita em 07 de outubro de 2023.





