Sobe para 77 número de migrantes que morreram ao tentar chegar a Ceuta



A comissão, composta por médicos legistas e peritos da Guarda Civil, elevou o total de mortos para 77, principalmente devido a afogamentos no Mar Mediterrâneo, mais dois do que o anterior balanço da representação do governo espanhol em Ceuta.

No total, as autoridades de Ceuta retiraram 79 corpos do mar, mas dois foram recuperados antes da chegada em massa de migrantes ao enclave, segundo comunicado das autoridades espanholas.

Os médicos legistas realizaram 77 autópsias e identificaram duas pessoas já registadas em Espanha através das suas impressões digitais. “Para poder identificar as outras, os dados das impressões digitais terão de ser enviados para Marrocos para um eventual reconhecimento”, especifica o comunicado.

O Ministério do Interior marroquino indicou no domingo que 11 pessoas perderam a vida do lado marroquino da fronteira com Espanha, um saldo que deve ser adicionado ao número de vítimas registadas pelas autoridades espanholas.

Segundo a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), o balanço chega a “perto de 130 vítimas” com “dezenas de desaparecidos” e o Observatório do Norte dos Direitos Humanos (ONDH), que tem sede na região de Fnideq, estima que “poderá rondar as 100 mortes, sem contar com as dezenas de desaparecidos”.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

Segundo as autoridades espanholas, 70.000 dos 72.000 migrantes que conseguiram entrar em Ceuta regressaram a Marrocos, mas na cidade espanhola permanecem indivíduos de várias nacionalidades africanas que se recusam a regressar, incluindo menores de idade.

Também hoje, os executivos autónomos de Castela e Leão, Estremadura e Aragão, todos formados em coligação pelo PP e Vox, anunciaram que irão opor-se à distribuição de menores migrantes não acompanhados chegados a Ceuta.

O primeiro a anunciar essa posição foi o Governo de Castela e Leão. Fontes da Vice-Presidência da comunidade, que recai sobre Carlos Pollán (Vox), mostraram “oposição frontal” à política migratória do governo socialista de Pedro Sanchez e frisaram à agência de notícias espanhola EFE que o pacto de governo assinado entre o PP e a formação de Santiago Abascal assim o estabelece.

Fontes consultadas pela EFE adiantaram que o acordo PP-Vox para o Governo na Estremadura estabelece que este trabalhará ativamente para devolver os menores não acompanhados aos seus países de origem e assegura que “não será criado nenhum novo centro de acolhimento de imigrantes ilegais durante a legislatura nem serão ampliadas vagas nos existentes”.

Na mesma linha expressou-se o Governo de Aragão, que assegurou que utilizará “todos os instrumentos legais, jurídicos e políticos” ao seu alcance para se opor a qualquer decisão que considere uma violação das suas competências ou que comprometa a capacidade dos seus serviços públicos.

O outro executivo autonómico de coligação PP-Vox, o da Andaluzia, não se pronunciou sobre o assunto, à semelhança dos governos do PP noutras comunidades.

O secretário-geral do PP, Miguel Tellado, questionado sobre se as comunidades autónomas onde governa o PP vão acolher os menores que chegaram a Ceuta, sustentou hoje que o país não enfrenta uma crise migratória, mas sim “uma crise de segurança nacional”.

“Quem gerou o problema foi o Governo de Sánchez e é quem deve resolvê-lo. Que por onde entraram voltem a sair”, acrescentou.

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